Entrevista Conheça a ex-diarista que estourou com mentorias, internet, WhatsApp e livro de dicas para uma boa faxina

Conheça a ex-diarista que estourou com mentorias, internet, WhatsApp e livro de dicas para uma boa faxina

Suhellen Kessamiguiemon limpou muito lar no Rio. Hoje brilha no Instagram com o Diário da Diarista, é elogiada por famosos, apelidada de Louca do Vinagre e faz sucesso com Quem Tem Medo de Faxina?  

  • Entrevista | Eduardo Marini, do R7

Resumindo a Notícia
  • Suhellen é mineira. Foi para o Rio na adolescência e hoje mora no interior do Estado do Rio.

  • Tem 37 anos. Vive com três filhos, o marido e duas crianças de união anterior do companheiro.

  • O apelido Louca do Vinagre surgiu por ela usar o ingrediente na limpeza de várias coisas.

  • O livro 'Quem Tem Medo de Faxina?' foi escrito em parceria com a jornalista Carol Zappa.

Suhellen faz sucesso com mentoria, Instagram e livro com dicas para uma boa faxina
Suhellen faz sucesso com mentoria, Instagram e livro com dicas para uma boa faxina DIVULGAÇÃO/EDITORA INTRÍNSECA

A mineira Suhellen Kessamiguiemon, 37 anos, mudou a vida a partir de uma grande ideia. Mãe de três filhos, segurava as pontas como faxineira no Rio de Janeiro. No início do isolamento da pandemia, os pedidos de limpeza caíram quase a zero. De caixa baixo, teve um estalo: "Como as pessoas estão fechadas em casa, fazendo elas próprias as tarefas do lar, vou ensiná-las a fazer boas faxinas, com mentorias e dicas preciosas pelo WhatsApp, redes sociais e o Diário da Diarista, minha página no Instagram".

Deu certo. Tão certo que, em meados do segundo semestre de 2022, editores da Intrínseca, após lerem uma reportagem sobre Suhellen feita pela jornalista Carol Zappa, convidou a dupla para dividir a autoria do livro Quem Tem Medo de Faxina? – Tudo o Que Você Precisa Saber Para Arrumar a Sua Casa de Um Jeito Rápido, Barato e Eficiente (Editora Intrínseca, 144 págs, R$ 44,90 a edição impressa e R$ 24,90 o e-book).

A combinação dos truques retirados da cartola por Suhellen com a competência de Carol gerou um livro cheio de sacadas úteis e, sobretudo, de leitura agradável. Suhellen não faz mais faxina profissionalmente. Ganha a vida hoje com ações na internet e outros trabalhos pontuais. Mora na região de Mangaratiba, no litoral do Estado do Rio, com seu trio de crianças, o marido e dois filhos da união anterior dele.

Nesta conversa com o R7 ENTREVISTA, Suhellen detalha sua trajetória. Admite que passou dificuldade em alguns períodos “mais por falta de juízo do que de oportunidade”. E, como não poderia deixar de ser, adiantou conselhos para deixar limpo, leve e solto o lar, doce lar. “Vou entregar esses, mas, para o restante, comprem o livro, por gentileza”, recomenda com elegância. Uma limpeza de papo sincero. Acompanhe:

Fale sobre você.
Suhellen Kessamiguiemon —
Tenho 37 anos. Hoje vivo na região de Mangaratiba, no litoral do Estado do Rio de Janeiro, com meus três filhos, o marido e dois filhos dele. Sou mineira. Nasci em Catupira, cidade pequena que hoje tem 8.900 habitantes. Mudei-me para o Rio de Janeiro muito nova. Fui morar com minha avó e uma tia. Fiquei grávida de minha primeira filha aos 16 anos. Assim que ela nasceu, comecei a buscar caminhos para estudar e trabalhar. Separei-me do pai dela pouco tempo depois. Tinha 17 anos e ele, 19. Éramos duas crianças com ideias diferentes. Não deu certo. Queria estudar, ele censurava. Disse tchau e fui procurar algo na vida. Mas foi mais difícil do que eu esperava. O ensino médio, por exemplo, só consegui completar cinco anos atrás, em 2018, com um provão.

As coisas deram errado para mim por um período, em grande parte, não por falta de oportunidade, mas de juízo mesmo. Eu era, de fato, inconsequente. Muita gente, ao me ouvir falar sobre o início de minha trajetória no Rio, sugere que eu venda essa história como de superação, mas sou muito contra. Na verdade, a história é de recuperação, de tomar vergonha na cara. E tomei. Se passei por dificuldade na vida naquele período, foi muito mais por falta de juízo do que de oportunidade

SUHELLEN KESSAMIGUIEMON

O que você tentou?
Fiz cursos de enfermagem, maquiagem, tentei outras áreas... Mas neste ponto preciso ser sincera: as coisas deram errado nesse período, em grande parte, não por falta de oportunidade, mas de juízo mesmo. Eu era, de fato, inconsequente. Muita gente, ao me ouvir falar sobre o início de minha trajetória no Rio, sugere que eu venda essa história como de superação, mas sou muito contra. Na verdade, a história é de recuperação, de tomar vergonha na cara. E tomei. Se passei por dificuldade na vida naquele período, foi muito mais por falta de juízo do que de oportunidade.

Parabéns pela sinceridade. Quando você realmente sentiu que precisava mudar?
Em 2017, quando terminei outro casamento, este de longa data. Pensei em telemarketing, mas precisava ganhar grana rapidamente, por causa dos filhos. Recepcionista? Me ocuparia muito e precisava de tempo para cuidar das crianças. Vender comida? Não tinha grana para o investimento inicial de compra do material. Cheguei à conclusão de que o ideal seria uma ocupação flexível, não convencional.

Como resolveu o dilema?
Foi quando surgiu a ideia da faxina. Fazia algumas, esporadicamente, na casa de uma prima, em troca do cartão de transporte para fazer alguns cursos, e no escritório de um ex-chefe, no centro do Rio. A ideia, agora, era faxinar também para pessoas que não conhecia. Tentei anunciar no Facebook, mas não deu certo. Há muita oferta por lá e as pessoas, em grande parte dos clientes, sentem-se inseguras em colocar um desconhecido em casa que encontraram pela internet.

A baixa remuneração também pegou, né?
Exatamente. Achei muito baixo o valor médio cobrado pelas pessoas no Face. Sei que todos precisam com urgência de recursos para se sustentar, mas recuso-me a trabalhar por aqueles valores. Cara, o pessoal, com raras exceções, queria — e ainda quer — que a faxineira entre às sete da manhã, saia quando tudo acabar, por cem pratas. Não dá, né? E outra: muitas vezes a casa do cidadão ou da cidadã estava o caos. Na dignidade do faxineiro, precisaria de dois ou três dias de trabalho para resolver, mas o elemento quer que você deixe tudo perfeito, um brinco de ponta a ponta, numa única jornada. E reclama se você disser que em uma não dá. O nome disso é exploração. Em 2017, achava que um mínimo digno a partir de R$ 150, fora as passagens, era válido. Até tentei o Face, mas não rolou.

Foi nesse momento que criou o Diário da Diarista no Instagram?
Sim. Meu marido não apostou na coisa de início. “Não vai dar certo. Instagram é lugar de gente bonita, fitness, viagem, entretenimento. Você vai postar pedindo faxina? Não vai rolar”, ele disse. Respondi que o não eu já tinha, mas tentaria o sim.

E aí?
Montei a página e a coloquei no Instagram. Aí pintou uma ajuda que mudou tudo para melhor. Eu acompanhava um blog e uma página no Face muito bacanas, sobre gestantes e maternidade, os dois com muitos seguidores, público das classes média e média-alta, de uma influenciadora chamada Luíza Ribeiro. Escrevi para ela: “Não a conheço nem você me conhece, mas sigo seu trabalho há muito tempo e preciso de sua ajuda para divulgar minha página no Instagram”. Ela foi extremamente generosa, fez a divulgação nos espaços dela e os clientes começaram a aparecer. Agradeço a Luíza no livro porque ela foi fundamental.

A divulgação fez você e seu trabalho chegarem a bons clientes.
Isso. Comecei a faxinar apartamentos e casas da zona sul do Rio. Depois peguei trabalho em outros bairros e na casa da jornalista e influenciadora digital Gabi Anastácia, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, na região metropolitana do estado do Rio de Janeiro, por indicação de uma amiga do meu marido. Gabi foi outra a me ajudar. Após a primeira faxina na casa dela, resolveu contar minha história em suas páginas na internet.

Com esses dois empurrões a coisa ficou mais fácil.
Exato. Tive a sorte de ficar fixa, semanal, de segunda a quinta, em algumas casas. Para não me matar de trabalhar, deixei a sexta para pegar faxinas aleatórias e cuidar da vida. Cobrava em média R$ 180 por jornada, fora o deslocamento. Nas sextas, quando sentia que o trabalho era grande, e seria apenas por uma vez, pedia mais um pouco.

Como todo mundo estava confinado, fazendo as coisas em casa, achei que poderia dar certo sem necessidade de investimento. Primeiro, organizei uma mentoria no WhatsApp sobre dúvidas na faxina. Anunciei no grupo e na página. Pensei: se tiver pelo menos dez interessados darei continuidade. Com menos do que isso, devolverei o dinheiro. Cobrei barato, R$ 29,90 por pessoa, porque a ideia era ganhar no volume. Consegui 60 pessoas de cara e a coisa cresceu. Teve gente até de outros países: Alemanha, Angola...

SUHELLEM KESSAMIGUIEMON

Quando começou a dar dicas para fazer uma boa faxina no Diário da Diarista, no Instagram?
Com regularidade, a partir do início da pandemia. Com o isolamento, quase todas as faxinas foram interrompidas — e eu, como todo mundo, precisava continuar a ganhar dinheiro. Ainda não tinha remuneração com parceiros na internet, mas, àquela altura, minha página abrigava mais de 10 mil seguidores. Tinha sido elogiada na internet e nas redes sociais por pessoas influentes, entre elas a chef, apresentadora e influenciadora Paola Carosella. Revistas e jornais me procuraram após os posts dela. Como todo mundo estava confinado, fazendo as coisas em casa, achei que poderia dar certo sem necessidade de investimento. Primeiro, organizei uma mentoria no WhatsApp sobre dúvidas na faxina. Anunciei no grupo e na página. Pensei: se tiver pelo menos dez interessados darei continuidade. Com menos do que isso, devolverei o dinheiro. Cobrei barato, R$ 29,90 por pessoa, porque a ideia era ganhar no volume. Consegui 60 pessoas de cara e a coisa cresceu. Teve gente até de outros países: Alemanha, Angola...

Livro traz dicas sobre materiais e procedimentos de limpeza

Livro traz dicas sobre materiais e procedimentos de limpeza

DIVULGAÇÃO/EDITORA INTRÍNSECA

Deu certo.
Isso. Eu acompanhava as pessoas cada dia em um cômodo. Mandava vídeos, infográficos… Mas a pandemia foi afrouxando, o povo começou a voltar às ruas, a trabalhar presencial e, como consequência, a chamar faxineiras de volta. Mas esse trabalho no WhatsApp e na internet acabou rendendo parceria com uma marca vegana. Isso me deu uma renda e permitiu o trabalho nas redes sociais, num estágio em publicidade e em alguns freelancers. E, claro, manter o Diário no Instagram e ações na internet, com dicas e bom humor nos comentários, que são minhas marcas no trabalho e na vida. Vivo disso atualmente.

Aí veio o livro?
Em setembro ou outubro de 2022, não me lembro o mês exatamente, a jornalista Carol Zappa fez uma reportagem comigo. O pessoal da editora Intrínseca leu, gostou e nos convidou para fazer o livro em parceria.

Você conta no Instagram e no livro que o pessoal a apelidou de A Louca do Vinagre. Por quê?
Uma vez cheguei na casa de um cidadão para faxinar e, de material de limpeza, havia apenas um pouco de sabão líquido e vinagre. A casa estava que era uma sujeira só. Os donos tinham saído. Estava sozinha e precisava me virar. Descobri ali as mil e uma utilidades do vinagre na limpeza de um lar (risos). Usei muito no trabalho e ainda hoje recorro a ele para cuidar da minha casa. Sempre bati na tecla de que é muito bom para limpar um monte de coisas. Muita gente malha, cita estudos para criticar, mas eu ignoro porque funciona.

Vinagre ajuda a tirar gordura, limpa o chão… Jogar um pouco no banheiro, sobre o limo, o lodo, deixar um pouquinho e esfregar é uma beleza. Para tirar gordura do fogão e das panelas após a fritura, também. Misturado com água e um pouco de detergente, limpa vidro que é uma beleza. Maravilhoso. Mas misture com água e sabão líquido, no máximo. Não pode combinar com água sanitária, desinfetantes nem outros produtos fortes. Fica muito abrasivo e pode manchar ou, dependendo da superfície, até causar estrago. Mas acredite: vinagre só não limpa o pecado das pessoas

SUHELLEN KESSAMIGUIEMON

Quais as principais utilidades do vinagre?
Ajuda a tirar gordura, limpa o chão… Jogar um pouco no banheiro, sobre o limo, o lodo, deixar um pouquinho e esfregar é uma beleza. Para tirar gordura do fogão e das panelas após a fritura, também. Misturado com água e um pouco de detergente, limpa vidro que é uma beleza. Maravilhoso. Mas misture com água e sabão líquido, no máximo. Não pode combinar com água sanitária, desinfetantes nem outros produtos fortes. Fica muito abrasivo e pode manchar ou, dependendo da superfície, até causar estrago. Mas acredite: vinagre só não limpa o pecado das pessoas (risos).

O povo pede mais dicas.
Vamos lá. Gosto de planejamento. Antes de começar, é preciso parar e pensar um pouco sobre tudo o que será necessário. Limpar as borrachas da geladeira e do fogão, por exemplo. Os interruptores, cheios de marca de "mãozona" e de dedão.


O que mais?
Água quente, às vezes, resolve metade dos problemas. Para tirar gordura, soltar crostas… Se não tiver na torneira, vale esquentar no fogão. Às vezes evita o uso de 50 mil produtos para resolver o negócio. Bicarbonato de sódio é outro ótimo aliado. Uma pastinha feita com ele e um detergente ajuda demais a remover partículas e a arear panelas. Vinagre e bicarbonato de sódio são dois coringas na faxina. Uma camada generosa de sal, o mais rápido possível, ajuda a tirar mancha de vinho de tapetes e panos. Coloque por cima da mancha e deixe um tempo. Agora, para o restante, comprem o livro, por gentileza (risos).

Muito obrigado.
Agradeço demais o R7 pela oportunidade.

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