Entrevista 'Flavio Cavalcanti e Silvio Santos ficavam à distância. Se gostavam, mas tinham ciúme um do outro'

'Flavio Cavalcanti e Silvio Santos ficavam à distância. Se gostavam, mas tinham ciúme um do outro'

Filho do célebre apresentador de tevê, Flavio Cavalcanti Junior conta nesta entrevista, e no recém-lançado livro Senhor TV , as histórias mais saborosas e polêmicas da trajetória de seu pai

  • Entrevista | Eduardo Marini, do R7

Resumindo a Notícia

  • Flavio Pai saiu do programa para o hospital em 1986. Morreu quatro dias depois, aos 63 anos.
  • Aos 22 anos, Cavalcanti invadiu apartamento pela varanda para entrevistar Getúlio Vargas.
  • Apresentador arrumou treta com dezenas de artistas e chamou Caetano Veloso de 'porco'.
  • Flavio Pai não falava nem 'Hi' de inglês, mas entrevistou John Kennedy nos EUA.
Cavalcanti Jr.: 'Livro pode não ser bom, mas as histórias são'

Cavalcanti Jr.: 'Livro pode não ser bom, mas as histórias são'

DIVULGAÇÃO/MATRIX

— Nossos comerciais, por favor!

Por três décadas, entre 1957 e 1986, milhões de telespectadores viram a frase acima ser repetida no horário nobre, em várias emissoras do país, por um dos mais polêmicos e brilhantes apresentadores da história da televisão brasileira: Flavio Antônio Barbosa Nogueira Cavalcanti. Ou, para os com quilometragem suficiente para ter acompanhado marcos como a pisada de Neil Armstrong na Lua, o desfile de Pelé no México ou mesmo o início do tsunami que levou o mundo digital a cobrir o analógico, apenas Flavio Cavalcanti, por favor!

O bordão, sempre acompanhado do gesto de apontar o céu com o indicador da mão direita, perpetua-se como meme na internet, vinheta em rádios e outras coisas do tipo. Entre um comercial e outro, o carioca Flavio Cavalcanti estraçalhava discos não aprovados por ele, esculhambava e arrumava treta com artistas de vanguarda, centro ou retaguarda, e exibia em tom solene reportagens exóticas, apimentadas, às vezes bizarras, nas noites rígidas do Brasil das décadas de 1960 e 1970.

Na noite de 22 de maio de 1986, Flavio, com os primeiros efeitos de uma isquemia aguda no coração, mandou seu último "nossos comerciais, por favor" ao vivo, no SBT. No intervalo, foi levado a um hospital de São Paulo e substituído, no ar, por Wagner Montes. Morreu quatro dias depois, aos 63 anos. 

Flavio trocou flechadas verbais com muita gente. Chamou Caetano Veloso de “porco”, detonou roqueiros dos anos 1980 como “bobocas contaminados pela doença sem cura chamada rock” e, com semblante crispado e pancadas secas na bancada, estilhaçou muitos — mas muitos — discos de vinil. Como o Brasil não é para amadores, vez por outra um dos moídos pedia a ele para repetir a atitude com outras de suas obras. Motivo: a performance tinha feito as vendas darem um pulo.

Dias atrás, o executivo de televisão e jornalista Flavio Cavalcanti Júnior, filho do apresentador, lançou o livro Senhor TV – A Vida com Meu Pai, Flavio Cavalcanti (Editora Matrix, 199 páginas, R$ 46 em média). Um relato recheado de passagens saborosas. “Queria resgatar esses episódios não só por afeto, mas porque são de fato muito bons. Costumo brincar que o livro não é bom, mas as histórias são. Talvez por isso estejam sendo tão bem recebidas”, explica o autor, que, em um salto sobre alguns marcos de peso na história da televisão brasileira, trata o apresentador, em todo o livro, por “papai” e “meu velho”. Acompanhe, por favor!

Se as histórias são mesmo boas, vamos a elas. Primeiro, conte a da entrevista com o ex-presidente Getúlio Vargas no Rio em 1948.
Essa é ótima. Papai era um jovem de 22 anos, repórter e colunista do Jornal da Manhã. Getúlio tinha sido derrubado do poder três anos antes, em 1945. Após longo recolhimento em suas fazendas no Rio Grande do Sul, voltou ao Rio, hospedou-se no apartamento do amigo Alencastro Guimarães, um dos ministros de seu governo, no Morro da Viúva, entre as praias do Flamengo e de Botafogo, debruçado sobre uma das mais espetaculares vistas da então capital federal do país e, por que não assumir, do mundo. E, mesmo longe da imprensa, iniciou articulações para tentar voltar ao poder, pelo voto, em 1950.

Em que ponto seu pai entrou nisso?
Ele encasquetou que conseguiria entrevistar Getúlio. Só havia um pequeno problema: o prédio era protegido por guardas do governo federal e também por seguranças do ex-presidente.

Flavio Cavalcanti (de pé) na entrevista com Kennedy

Flavio Cavalcanti (de pé) na entrevista com Kennedy

ARQUIVO PESSOAL CAVALCANTI JÚNIOR

O que ele fez?
Numa noite, inventou na portaria ter sido contratado como garçom para algo no apartamento ao lado. Tocou a campainha do vizinho e, com aquele poder de convencimento e dramático como nunca, disse ter dois filhos e temer o alto risco de perder o emprego se não conseguisse seu objetivo. Duas mentiras na ocasião, suficientes para convencer a espantada dona do apartamento a permitir que ele — veja só — pulasse de sua varanda para a de Alencastro Guimarães.

Brincadeira sua.
Verdade rigorosa. A loucura de papai foi parcialmente interrompida, na varanda do apartamento de Alencastro Guimarães, por um abraço de imobilização dado por Gregório Fortunato, o guarda-costas e fiel escudeiro do ex-presidente conhecido popularmente à época, e agora registrado na história, como ‘O Anjo Negro de Getúlio’. Fortunato se envolveria anos depois, em 1954, na tentativa de assassinato do jornalista Carlos Lacerda, o principal rival e crítico de seu protegido.

Como a loucura terminou?
Papai foi salvo pelo dono da casa. Ao saber da invasão, Alencastro Guimarães respirou fundo e disse a Fortunato para soltar, mas não tirar o olho do jovem maluco. Enquanto isso consultaria Getúlio. Minutos depois, Papai, trêmulo, vê o ex-presidente e sua mulher, Darcy, entrarem na sala em ele era alvo do olhar fixo de Fortunato. Papai reforçou as mentiras dos filhos e do emprego, colocou mais algumas no pacote e quase não acreditou quando o casal Vargas, a filha Alzira do Amaral Peixoto e o anfitrião Alencastro Guimarães fizeram uma roda e o chamaram para a conversa. Falaram de votação, direitos trabalhistas, Usina Siderúrgica de Volta Redonda e outros cacos. Nada bombástico — mas, para o meu velho, foram dez minutos de glória — que renderam também um bom aumento.

Como rolou a entrevista com o ex-presidente americano John Kennedy?
Em março de 1962, um ano e nove meses antes de Kennedy ser assassinado a tiros, em Dallas, no estado americano do Texas, papai foi fazer um estágio na CBS, em Nova York. Se não estou enganado, e até onde sei, nenhum jornalista brasileiro tinha entrevistado um presidente americano até então. Ele teve sorte porque havia interesse de Kennedy em falar para o Brasil naquele momento. Estavam lançando o programa Aliança para o Progresso da América Latina e o presidente viu na entrevista uma oportunidade de abrir caminhos.

Bom, mas Flavio Cavalcanti não falava inglês...
Pois é. Diante desse detalhe insignificante para a causa (risos), ele chamou para acompanhá-lo o apresentador, ator e locutor Murilo Néri, seu grande amigo, e o jovem Rubem Medina, que depois se tornaria empresário de sucesso e deputado federal por vários mandatos. ‘Vou entrevistar o presidente John Kennedy’ berrou aos amigos, para longas gargalhadas deles, pouco após chegarem a Nova York.

Papai chegou ao prédio aonde estava Getúlio Vargas em 1948. Inventou ter sido contratado como garçom por uma moradora. Entrou, chegou à porta da vizinha do apartamento do amigo do ex-presidente, convenceu a moradora a deixá-lo saltar da varanda dela à do lado. Foi imobilizado por Gregório Fortunato, o "Anjo Negro de Getúlio", como era conhecido, mas depois conseguiu dez minutos de entrevista

Flavio Cavalcanti Junior

Como ele saiu dessa?
Primeiro, ligou para a então cônsul do Brasil em Nova York, Dora Vasconcelos, sua amiga, e revelou o plano. Dora seguiu o roteiro de gargalhadas de Murilo e Rubem, mas prometeu arrancar ao menos ‘não oficial’ do governo americano para acalmar o ímpeto do amigo. No dia seguinte, ela ligou agitada para o papai dizendo: ‘Não me pergunte o que vai acontecer, mas o porta-voz da Casa Branca, Pierre Salinger, disse-me apenas que marcou uma audiência com você para amanhã’. No dia seguinte, os três partiram de manhã para Washington. Salinger os recebeu e, para espanto de Murilo e Rubem, marcou a entrevista para dois dias depois, às sete e meia da manhã, com equipamento de 16 milímetros cedido pela Casa Branca.

A entrevista foi boa?
Sim, mas houve bastidores ainda mais engraçados. Kennedy chegou ainda sem paletó e gravata. Mandou um animado ‘Alô, bom dia’. Papai percebeu que ele estava sem a aliança de casamento, embora a marca da peça ainda se destacasse fortemente ao final de seu dedo. Pediu então a Murilo que perguntasse ao presidente americano se sua mulher, Jacqueline, estava bem.

E aí?
Como Murilo não entendeu logo o motivo da questão, papai tentou mostrar, discretamente, o dedo sem o anel de compromisso. Kennedy percebeu a manobra, mas, felizmente, levou na boa. Disse sorrindo ter esquecido de colocá-lo e pediu a um ajudante de ordem que fosse buscá-la. Aí a entrevista começou. Murilo e Rubem tinham apostado que, se a entrevista rolasse, pagariam uma feijoada para meu velho em plena Times Square. Pagaram. Ao ar livre, com o pessoal do consulado e autorização da prefeitura de Nova York. Foi uma festa.

Na Tupi, com o indicador ao alto para chamar os comerciais

Na Tupi, com o indicador ao alto para chamar os comerciais

DIVULGAÇÃO/ARQUIVO REDE TUPI

Seu pai protagonizou muitas polêmicas e confrontos na carreira. Chamou Caetano Veloso de “porco”, por exemplo. Em um de seus quadros mais famosos e lembrados, tocava trechos de músicas de que não gostava e estraçalhava os discos de vinil ao vivo, batendo com eles na banca. Nos anos 1980, detonou a onda do rock nacional. Disse que a coletânea Rock Grande do Sul era feita por “bobocas contaminados pela doença sem cura chamada rock”. E que Lobão aparecia na capa do disco O Rock Errou “aparentando vontade de vomitar e com a prima e esposa dele nua”. Não perdoou nem mesmo os “uôuôuôoos” da hoje clássica Revanche. Ele tinha medo de reações contra ele por essas atitudes?

Não. Dizia o que pensava, tinha suas posições, não fugia dos debates, mas, no fundo, eram reações calculadas, da personagem pública dele. Recorria muito a duas frases: "Não sou censor; sou censurável", e "Tenho nojo de todo tipo de covardia, física ou moral". Agora, nessa coisa de quebrar disco há vários episódios engraçados. Em um deles, certa vez papai transformou em cacos, ao vivo, o disco recém-lançado por um cantor gaúcho. Dias depois, alguém atendeu o telefone no escritório, virou-se para ele e disse: "Fulano quer falar com o senhor". Era o cantor. O velho logo pensou: "Vai me esculhambar". Mas atendeu. Do outro lado, o cantor: "Boa tarde, seu Flavio, e tal, e tal..." E engatou: "O senhor quebrou meu último disco. Posso lhe pedir um favor? Faça o seguinte: quebre mais, quebre de novo, quebre os outros, porque depois daquela noite estou vendendo disco como pão quente". Olhe, eu realmente me diverti escrevendo esse livro.

O velho dizia: "Eu, Chacrinha e Silvio Santos somos os melhores apresentadores do país. Silvio acha que é o melhor, mas não é". Eu era diretor do SBT em Brasília. Silvio dizia a mesma coisa sobre papai. No fundo, um se achava melhor e tinha ciúme do outro. Dias antes de papai assinar com o SBT, Silvio perguntou-me se eu achava realmente que havia espaço para "duas estrelas" na emissora. Disse: "Há para sete. Uma a cada dia da semana"

Flavio Cavalcanti Junior


Por falar em censor e censurável, relembre o episódio em que o programa de seu pai foi suspenso por 60 dias, na Rede Tupi, em 1973.
Ele apresentou a história de um sujeito estranho, com problemas físicos, que teria cedido a mulher ao vizinho "por empréstimo" e fazia troca de casal no interior de Minas Gerais. Ele levou os casais, polícia, todo mundo para o palco — e a censura, claro, não gostou nada da história. Ele vinha exibindo coisas fortes nas semanas anteriores. Então, dessa vez não teve jeito. Acharam que estava abusando da liberdade concedida a ele e suspenderam o programa, com ameaça de tomar a mesma decisão, com prazo maior, caso o programa voltasse na mesma linha. Foi o primeiro momento de abatimento prolongado dele. O segundo foi mais para o final da vida, com a fragilidade de saúde da minha mãe, Belinha Cavalcanti, que, por sinal, morreu um ano depois dele, em junho de 1987, após três derrames, perda parcial da visão e uma luta duríssima contra problemas circulatórios graves.

O Flavio Cavalcanti apresentador brilhou no comando de vários programas de tevê a partir de 1957, com Um Instante, Maestro!, na Tupi. Programa Flavio Cavalcanti, Noite de Gala, Sua Majestade é a Lei e A Grande Chance foram outros, nas TVs Rio, Excelsior, Tupi, Bandeirantes e SBT. Destaque mais uma boa história desse período.
Gosto da história da ida dele para o SBT. Papai apresentou no SBT o Programa Flavio Cavalcanti de 1983 a 1986, ano em que morreu, aos 63 anos. Ele e Silvio Santos se admiravam muito, mas mantinham uma certa distância, acho que por ciúme um do outro (risos). Papai sempre me dizia: "O Silvio se acha o maior apresentador da televisão brasileira, mas na verdade não é". Evidentemente achava que o melhor era ele. E Silvio também me dizia isso: "O Flavio se acha o maior apresentador da televisão brasileira, mas ele e você sabem que não é". Evidentemente achava que o melhor era ele, Silvio (Flavio Junior cai na gargalhada).

Deve ter sido difícil juntar os dois.
Foi engraçado, como dá para perceber. Papai foi da Bandeirantes, onde fazia o programa diário Boa Noite, Brasil!, para o SBT. Eu era diretor do SBT em Brasília. Tinha relação muito próxima com o Silvio. Quando começamos a conversar sobre a ida de papai para a emissora, Silvio virou para mim e disse: "Flavio, meu filho, você sinceramente acha que existe lugar aqui para duas estrelas?" Respondi: "Para duas não, tem para sete, uma para cada dia da semana (risadas)". Silvio nem quis participar da negociação. Acertei com os diretores rapidamente, em menos de uma hora.

O programa do papai na Rede Tupi foi suspenso por 60 dias pela censura. Ele colocou no ar em 1973, em pleno regime militar, no horário nobre, a história de um sujeito estranho que teria cedido a mulher a um amigo "por empréstimo" e fazia troca de casal. Os militares, obviamente, acharam aquilo tudo um absurdo. Como ele vinha exibindo coisas apimentadas havia um tempo, alegaram abuso da liberdade concedida

Flavio Cavalcanti Junior

Seu pai gostou da passagem pelo SBT?
Foi muito feliz nesses três anos. Silvio manteve uma distância cautelosa, digamos assim, mas foi carinhoso o tempo todo. No dia 22 de maio de 1986, após pedir o intervalo com o tradicional gesto do dedo indicador apontado para o alto, e o bordão Nossos comerciais, por favor!, papai foi substituído no ar por Wagner Montes, e levado a um hospital de São Paulo. Havia sofrido uma isquemia aguda no miocárdio. Morreu quatro dias depois. Silvio foi a primeira pessoa a nos encontrar no hospital. Tirou a emissora do ar à noite, no momento da morte, em sinal de luto, e só ordenou a retomada das atividades no dia seguinte às 16h, depois que papai foi enterrado em Petrópolis, na região serrana do Estado do Rio de Janeiro, diante de mais de 2.500 pessoas. Na tela do SBT, apenas a mensagem com o horário do enterro e o do retorno ao ar. Serei eternamente grato ao Silvio por essas atitudes.

O livro: histórias ricas e saborosas

O livro: histórias ricas e saborosas

DIVULGAÇÃO/MATRIX

Como era a relação dele com os militares?
Ele tinha amigos nos governos, como muita gente teve, mas manifestava publicamente suas discordâncias em relação às atitudes do regime das quais discordava. Admirava muito, por exemplo, Carlos Lacerda, um dos homens mais inteligentes que disse ter conhecido. Queria vê-lo presidente a partir de 1965. Apoiou o regime em 1964 acreditando realmente no discurso inicial dos militares de que o governo seria provisório, transitório, e haveria eleição em 1965. Teríamos provavelmente Lacerda e Juscelino Kubitschek no páreo. Já pensou numa disputa dessa? Que cada um pense o que achar que deve sobre papai, mas posso garantir que ele acreditou inicialmente nessa coisa da transição rápida. Quando se convenceu, quatro ou cinco meses depois, do contrário, de que não haveria passagem de bastão, afastou-se do regime. Passou a externar suas restrições na medida do que era possível naquele período, como comunicador de massa no ar para milhões de brasileiros que precisava continuar a trabalhar.

É verdade que seu pai abrigou a atriz Leila Diniz na casa de vocês em Petrópolis, na região serrana do Estado do Rio?
Isso mesmo. Em 1971 ou 1972, agora a memória me traiu na precisão. Muitos não sabem que papai conhecia boa quantidade de gente hostil ao regime. Uma delas foi a Leila Diniz, perseguida por um tempo. Penso que não formalmente pelo governo, mas por grupos ligados ao regime incomodados com as atitudes espontâneas daquela mulher linda e livre, que no fundo só queria ser feliz e viver como achava que deveria. Enxergavam ameaças à sociedade na postura dela. Tentaram prendê-la. O curioso é que papai não a conhecia pessoalmente. Os dois nunca tinham se encontrado antes, mas papai disse a um amigo comum, o diretor de tevê Eduardo Sidney, para levá-la ao escritório dele, no bairro da Urca, na zona sul do Rio. Ela estava assustada com a possibilidade de ser detida. Papai disse: "Vá para minha casa em Petrópolis porque lá ninguém pegará você". E ela foi. Ficou mais de um mês. Feliz e sentindo-se segura. Os familiares iam visitá-la. Conhecidos do papai simpatizantes do regime diziam: ‘Flavio, solte Leila Diniz’. E ele: ‘Não vou soltar porque senão vocês vão prender’.

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